Sábado morno. A tarde está linda lá fora e eu não me sinto com motivação de sair por aí...
Estou sem disposição para nada.
Vontade de ir; vontade de ficar... fazer o quê?
Há tanto para se fazer aqui nesta cidade tão linda!
Mas a coragem de sair com o vento e voltar com o orvalho da noite, pela minha livre e espontânea vontade,
parece já ter se perdido no pó das estradas...
O peso das responsabilidades curva meus ombros.
As estruturas da vida em sociedade me sufocam.
A necessidade de vencer os medos dos outros me estressam.
As obrigações diárias são inadiáveis!
Foi para isso que eu nasci?
Mas a coragem de sair com o vento e voltar com o orvalho da noite
tem alguma coisa a ver com responsabilidades e obrigações???
Talvez se eu escutasse mais os sons da Mãe Terra
talvez se eu falasse com muita atenção com as árvores, os animais, as pedras e os grãos de areia,
talvez se eu ouvisse sempre as vozes que vêm do meu próprio coração,
talvez se eu recorresse diariamente ao Universo em todas as minhas necessidades,
talvez, se eu sonhasse mais, refletisse mais, sorrisse mais,
e talvez se eu agradecesse mais,
essa tarde de sábado não me pareceria assim tão morna,
nem eu estaria aqui, sentada, frente ao computador, sentindo esse cansaço...
Talvez, eu já estivesse até me preparando para voltar com o orvalho da noite em meus cabelos...